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Qual é a sua inflação pessoal?

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Dreamstime - Alessio Andrea Balza

Resumo – Os índices de inflação oficiais não refletem o aumento do seu custo de vida? Descubra como calcular sua própria taxa de inflação pessoal (ou familiar) e compreenda o impacto que isso pode ter em seu planejamento financeiro.

 

O IPCA não mede a sua inflação pessoal

 

Você percebe que a variação de preços de produtos e serviços que fazem parte das despesas do seu dia a dia apresentam uma oscilação diferente daquela relatada pelos índices oficiais?

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial de inflação do país, é a referência de muitos brasileiros para acompanhar os níveis de inflação no país. No entanto, a variação de preços que o consumidor experimenta em seu dia a dia e em seu orçamento pode ser consideravelmente diferente da inflação oficial.

Isso acontece porque o IPCA, como qualquer índice, é uma média. Ele avalia a variação de preços de uma cesta de produtos composta por nove grupos diferentes, consumidos por famílias que possuem renda de um a 40 salários mínimos e residem em 13 regiões metropolitanas do país.

Isso quer dizer que ele reflete a movimentação de preços de itens consumidos por um amplo conjunto de consumidores.

Mas uma família com renda de um salário mínimo tem um padrão de consumo muito diferente em comparação com uma família que recebe 10 salários mínimos, o que dirá, então, de uma que recebe 40 salários mínimos!

É nesse ponto que entra a noção de inflação pessoal.

A sua inflação pessoal pode variar com base no seu nível de renda, na cidade em que vive, e no seu perfil de consumo.

A seguir, você encontrará uma explicação mais detalhada sobre esses diferentes conceitos e também sobre como calcular a sua própria taxa de inflação pessoal (ou familiar).

 

Entendendo o que é inflação pessoal

 

Trata-se da inflação que tem um impacto direto em sua situação financeira e na de sua família. Em termos simples, é a oscilação de preços dos bens e serviços que você efetivamente utiliza.

A seleção de produtos e serviços que uma pessoa consome difere da cesta teórica utilizada pelo IBGE. Por exemplo, se eu me desloco a pé para o trabalho, o aumento no preço da gasolina não tem um impacto significativo no meu gasto com transporte. Se você não tem filhos em idade escolar, tampouco terá preocupações com o preço da mensalidade em seu orçamento.

 

Como descobrir a sua taxa de inflação pessoal (ou familiar)?

 

Uma forma simples de compreender como a sua inflação pessoal varia é registrando os valores gastos para consumo. No início, pode parecer um pouco trabalhoso, mas não é nada de outro mundo. 

1. Registre em um papel (ou em uma planilha) todos os itens que você normalmente consome em um mês típico de sua vida, um por um. Considere apenas os itens que fazem parte do seu consumo habitual em um mês, sem grandes alterações.

2. Anote a quantidade de cada item que você consome de modo recorrente em um mês. Por exemplo, qual a porção de arroz, feijão, batata ou carnes que você geralmente utiliza nesse intervalo? Quantas dúzias de ovos? Quantos litros de gasolina você consome? Ou quantas passagens de ônibus e metrô você adquire no período? A quantidade e os itens que você registrou neste primeiro mês serão a sua base de comparação.

3. No segundo mês, repita o processo. Para ilustrar, vejamos um exemplo:

Item

Quantidade consumida no mês

Valor total (mês 1)

Valor total (mês 2)

Tomate

3 kg

R$ 24,00

R$ 25,60

Ovos

3 dúzias

R$ 27,00

R$ 29,42

Carne

3 Kg

R$ 95,00

R$ 97,00

4. Após seguir este procedimento para todos os itens que compõem seu consumo, some o valor total gasto no primeiro mês e também o valor gasto no segundo mês. É crucial considerar as mesmas quantidades para determinar se essa variação está relacionada ao aumento real dos preços e não a um aumento em seu consumo.

5. Usando o exemplo mencionado anteriormente, no primeiro mês, seus gastos totalizaram R$ 146,00. No segundo mês, para manter a mesma quantidade de itens, você gastou mais, chegando a R$ 152,02. Em outras palavras, a diferença percentual entre os preços desses produtos é de 4% – isso representa a sua taxa de inflação pessoal.

 

Outra maneira de calcular sua inflação pessoal (ou familiar)

 

Uma alternativa a este acompanhamento mensal dos preços é proposta pelo investidor Luiz Barsi, famoso por sua estratégia de investimento em empresas que são boas pagadoras de dividendos.

Dessa forma, basta calcular, no dia 1º de janeiro do ano que se inicia, o valor de seu custo de vida com base nos preços negociados naquele dia.

Ao final do período, faça o mesmo cálculo, agora com os preços do dia 31 de dezembro do mesmo ano. A diferença de preços será correspondente à sua inflação pessoal.

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Fazendo a comparação: inflação pessoal x inflação oficial

 

Você tem a opção de comparar sua inflação pessoal com o IPCA, que é a inflação oficial. 

E também é viável fazer essa comparação por categorias. O IPCA mede a variação de preços em nove categorias diferentes de produtos e serviços.

Você pode organizar seu orçamento de acordo com esses mesmos grupos:

    • Alimentação e Bebidas: inclui os custos relacionados à comida, tanto aquela consumida em casa quanto em restaurantes, como supermercados e refeições fora de casa.
    • Habitação: abrange despesas essenciais como eletricidade, água e aluguel.
    • Artigos de Residência: engloba uma ampla variedade de itens para o lar, como eletrodomésticos e decoração.
    • Vestuário: inclui gastos relacionados a roupas, calçados e acessórios.
    • Transportes: compreende todos os gastos relacionados à locomoção, como combustível, manutenção do veículo e transporte público.
    • Saúde e Cuidados Pessoais: abarca despesas com medicamentos, produtos de higiene e beleza.
    • Despesas Pessoais: são os gastos relacionados a serviços, como salão de beleza e empregados domésticos.
    • Educação: envolve mensalidades escolares e material escolar.
    • Comunicação: engloba despesas com internet, telefone celular e serviços de streaming.

Para obter uma lista detalhada dos itens que se encaixam em cada grupo, você pode consultar as tabelas do IBGE.

Ao classificar seus gastos de acordo com os grupos do IPCA, você consegue ter uma visão mais precisa de como sua inflação pessoal se comporta em cada categoria. Além disso, você pode compará-la com a inflação oficial de cada grupo para determinar se está acima ou abaixo dessa taxa.

 

Você vai tomar melhores decisões!

 

Com o intuito de aprimorar o planejamento de seu orçamento e de suas estratégias de investimento, é crucial compreender como a inflação afeta os produtos e serviços que você consome. Isso capacita você a tomar decisões financeiras mais precisas e alinhadas com sua situação financeira real.

De maneira prática, a inflação pessoal pode ser equiparada a um gasto. É fundamental estar ciente disso para avaliar se é viável aumentar ou reduzir seus gastos, se haverá mais ou menos recursos disponíveis para despesas não recorrentes ou para investimentos. 

A partir desse entendimento, você pode reconsiderar algumas decisões e desenvolver estratégias financeiras mais eficazes.

 

Você vai gerenciar melhor os seus gastos

 

Imagine que, em determinado mês, sua taxa de inflação pessoal supere a inflação oficial do mesmo período. Isso implica que seu dinheiro está perdendo valor em uma proporção maior do que a média. Em outras palavras, durante esse período, seu poder de compra é menor do que a média.

Com essa informação em mãos, você pode ajustar seu orçamento, diminuindo despesas em categorias nas quais sua inflação pessoal está significativamente elevada, por exemplo. Ou se for um aumento nos preços de uma categoria essencial, também é válido rebalancear gastos em outras categorias de gastos supérfluos.

Por outro lado, se sua inflação pessoal estiver abaixo da oficial, isso significa que seu dinheiro está perdendo valor em uma proporção menor do que a média. Nesse cenário, você possui recursos adicionais à disposição. Em outras palavras, seu orçamento possibilita adquirir mais itens do que a média.

Com esse entendimento, você pode, por exemplo, considerar o aumento do consumo de um determinado item, caso deseje fazê-lo.

 

Você também vai investir melhor!

 

Essa informação também se mostra relevante para aqueles que têm interesse em investir ou já estão investindo. Uma das principais metas dos investimentos é buscar superar a inflação. 

Em termos simples, quando seus investimentos geram rendimentos acima da taxa de inflação, isso significa que você obteve ganhos reais: seus ativos não apenas compensam a perda de seu poder de compra durante o período, mas também renderam uma porcentagem adicional a esse valor.

Além disso, gerenciar sua inflação pessoal é a chave para simplificar a tarefa de manter um padrão de vida estável e construir um patrimônio por meio de uma estratégia de investimento adequada, sem a necessidade de buscar aumento de receita de forma urgente.

Agora, para decisões financeiras de longo prazo, ainda é recomendável considerar as previsões de mercado em relação à inflação oficial. Essas projeções podem ser obtidas no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central.

 

Conclusão

 

A sua inflação pessoal pode variar com base em seu nível de renda, cidade em que vive, e seu perfil de consumo.

Aprenda a calcular este índice com base em seu orçamento para conhecer a oscilação real de preços de sua cesta de consumo pessoal (ou familiar).

Assim, você toma melhores decisões de consumo e de investimentos.

 

Fontes

 

IBGE, Banco Central do Brasil

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA - USP. Executivo em empresas multinacionais nas áreas de desenvolvimento de negócios, marketing e estratégia. Possui ampla experiência no empreendedorismo e hoje divide esses aprendizados. Para isso, o especialista criou e lidera o canal A hora do dinheiro , com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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