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Uma sombra que sempre nos acompanha: o risco

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Unsplash - Soroush Karimi

Resumo – Quais são os tipos de riscos que existem quando você decide investir? Saiba mais aqui.

 

A maldição do Titanic?

 

Depois da trágica implosão do submersível que vitimou cinco pessoas numa jornada para ver os restos do naufrágio do famoso navio Titanic (o qual se encontra afundado a uma profundidade que chega a mais de 3.800 metros da superfície, distância equivalente a mais de 4 edifícios do Burj Khalifa empilhados), a mítica embarcação, mais de 110 anos depois do primeiro acidente, passou a ter mais uma grande tragédia envolvendo seu nome.

No primeiro naufrágio, acontecido em 1912, morreram 1.514 pessoas. Certamente, todo mundo deve ter ouvido a história de que o comandante do navio, à época, disse a famosa frase “Nem Deus conseguirá afundar esse navio!”. 

Nesse sentido, somos levados a refletir sobre um tema que nem sempre é lembrado em nossas decisões, e muitas vezes não só não é pensado, como também é negligenciado.

Estamos falando do risco!

 

Afinal, o que é risco?

 

Risco é a possibilidade, descrita normalmente em porcentagens de probabilidade, de algo dar errado. Em investimentos e finanças, é a possibilidade de você ter perdas. Outra definição de risco é a possibilidade de você ter perda definitiva de capital em algum investimento.

O diretor de cinema James Cameron, que dirigiu o famoso filme sobre o naufrágio (Titanic – 1997), declarou que tinha receio de que as pessoas que estavam participando dessas expedições de submersíveis para visitar o icônico naufrágio, não tivessem acesso à informação completa dos riscos envolvidos.

Ou seja, as pessoas que estavam participando de uma atividade de altíssimo risco de terem um final trágico podiam não estar totalmente cientes do que poderia acontecer e das probabilidades de cada resultado possível completamente mapeadas.

Isso me lembra a história da roleta russa.



Risco e tomada de decisão

 

Numa roleta russa, uma pessoa usa um revólver que contém somente uma bala dentro das seis câmaras possíveis. Então, a câmara é girada e, quando o giro termina, o gatilho é acionado, apontado para a cabeça do apostador. Por isso o nome roleta.

A probabilidade da bala estar na câmara acionada é de 16,7% – uma vez a cada 6 acionadas.

Porém, a questão que se apresenta aqui não é a estatística em si, e sim uma decisão moral.

 

Quanto vale uma vida?

 

Decisões morais dizem respeito ao conceito mais profundo de certo e errado na vida das pessoas.

  • Quanto vale uma vida?
  • Qual o valor você toparia receber para colocar sua vida em risco ? 

Do ponto de vista de uma empresa seguradora, o valor da vida é mensurado sob um aspecto meramente financeiro. É comum, em coberturas de seguros, o cálculo ser feito a partir de uma referência de geração de renda ou riqueza pela pessoa a ser segurada.

Porém, do ponto de vista da própria pessoa, o cálculo é outro. Se é que deveria existir esse cálculo.

Quando o que a pessoa tem a perder não pode ser substituído, mesmo que seja baixa a probabilidade de isso acontecer, a pessoa não deveria fazer a aposta, ou se colocar na situação. Não deveria participar do jogo, ou da jornada, no caso do submersível.

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Aprenda a controlar seus riscos nas finanças

 

Nos investimentos, a analogia também pode ser aplicada. O investidor de bom senso – aquele que busca ter uma vida financeira equilibrada – não coloca todos os seus recursos numa só aposta. Mesmo que o risco de perda seja baixo. Essa é uma decisão muito difícil para o investidor.

O senhor mercado chama isso de “All in”, ou seja, o investidor coloca 100% de suas economias numa aposta só – ações, renda fixa, imóveis, etc.

Claro que tem gente que tem 100% de sua grana em imóveis e está satisfeito com isso. Mas lembre-se, por exemplo, da época da Covid 19 e das pessoas que tinham investimentos em imóveis comerciais. 

Durante um período grande de tempo, lojas foram fechadas, imóveis devolvidos e isso demorou muito tempo para mudar. Na realidade, em muitos locais, ainda hoje não voltou 100% ao que era antes.

Num momento de virada (ou de crise) no mercado em que o investidor está 100% investido num tipo só de ativo, ele pode sair bem machucado, ou até sair do jogo, ou seja, perder tudo

Em investidores que apostam em posições vendidas, naquele em que você aposta que uma ação vai cair, e ela eventualmente sobe muito rapidamente (evento chamado short squeeze), a perda pode ser incalculável, não tem limite!

 

Quais são os tipos de riscos a que você tem exposição ao investir?

 

Como dissemos acima, o investimento é  uma atividade como qualquer outra que envolve risco.

Dessa maneira, é preciso conhecer os tipos de risco a que você se expõe ao entrar em um investimento.

Os principais são:

    • Risco de mercado
    • Risco de liquidez
    • Risco de crédito

Vamos ver, agora, cada um deles no detalhe!

 

Risco de mercado

 

O risco de mercado está relacionado às flutuações de indicadores macroeconômicos, como taxa de juros, inflação, câmbio e seus possíveis impactos no mercado de capitais (ações, títulos, etc).

Para reduzir o risco de mercado, é essencial diversificar seus investimentos, reduzindo sua exposição a apenas um tipo de risco.

 

Risco de liquidez

 

Já o risco de liquidez diz respeito a dois fatores principais:

O primeiro tem a ver com o tempo / demora para o dinheiro entrar na conta.

Pensando nisso, avalie com o devido cuidado as datas de vencimento / resgate de seu investimento, para que você tenha um bom gerenciamento de risco e, assim, diminua as chances de não ter dinheiro em conta quando precisar.

O segundo está relacionado à quantidade de compradores dispostos a adquirirem o papel que você queira vender no momento.

Caso não haja nenhum agente interessado, você pode se ver na alternativa de ter que abaixar o preço de venda para ver se consegue algum comprador para seu papel.

 

Risco de crédito

 

O risco de crédito, por sua vez, está relacionado à capacidade (ou não) de a empresa (ou o governo) pagar o que deve.

Em bom português, estamos falando do famoso “risco de calote”.

Dessa maneira, uma das formas de gerenciar adequadamente seu risco de crédito é avaliar a nota das empresas / governos para os quais você empresta seu dinheiro, através dos ratings (classificações de risco dadas por agências como Fitch, S&P, Moody’s).

Além disso, verifique se o título em que você planeja investir possui garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

 

Além destes três tipos principais de risco, ainda temos os seguintes:

 

Risco Operacional 

 

A possibilidade de perder dinheiro num investimento que foi mal administrado – Ações de empresas com executivos incompetentes, por exemplo.

 

Risco Legal

 

Uma modificação na legislação que causa uma perda definitiva para seu investimento.- Aumento de algum imposto sobre um título que não ainda não está apto a ser liquidado/recebido.

 

Risco Reputacional

 

Uma queda na confiabilidade da empresa que vende uma debênture, por algum escândalo de má gestão.

 

Risco Ambiental

 

Cada vez mais discutido e levado em consideração nos investimentos – uma empresa que comete algum crime ambiental, ou não segue uma regra, colocando em risco seus negócios ou parte deles.

Vários exemplos vem ocorrendo nos últimos anos – empresas que têm plantas fabris com problemas de segurança aos funcionários, que sujam o meio ambiente, ou fabricam produtos sem a devida fiscalização de qualidade.

Estruturas que causam acidentes de grande magnitude, impactando a comunidade ao redor. Vazamentos de produtos contaminantes, entre outros.

 

Esperamos que este conteúdo possa ajudar você em seu processo de tomada de decisão e gerenciamento de riscos. Bons investimentos!

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA - USP. Executivo em empresas multinacionais nas áreas de desenvolvimento de negócios, marketing e estratégia. Possui ampla experiência no empreendedorismo e hoje divide esses aprendizados. Para isso, o especialista criou e lidera o canal A hora do dinheiro , com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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