Vício em apostas: 7 formas de identificar, tratar e ajudar alguém a sair desse ciclo

Vício em apostas: 7 formas de identificar, tratar e ajudar alguém a sair desse ciclo

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vício em apostas
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Entenda como tratar o vício em apostas, quais são os sinais de alerta, como a família pode ajudar e onde buscar apoio com segurança e acolhimento.

Vício em apostas: um problema sério, mas tratável

O vício em apostas deixou de ser um tema distante e passou a fazer parte da realidade de muitas famílias brasileiras. Pesquisas recentes indicam que 10,9 milhões de pessoas no Brasil fazem uso perigoso de apostas, e 1,4 milhão já apresenta transtornos de jogo com prejuízos pessoais, sociais ou financeiros.

Isso significa que o problema não se resume à perda de dinheiro. Ele pode afetar a saúde mental, o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a estabilidade da casa inteira. A boa notícia é que existe tratamento, apoio e caminho de recuperação.

O que é o vício em apostas

O vício em apostas, também chamado de transtorno do jogo, é quando a pessoa perde o controle sobre o comportamento de apostar, mesmo percebendo prejuízos. Em geral, ela continua jogando para tentar recuperar perdas, aliviar ansiedade, buscar emoção ou escapar de problemas emocionais.

Esse ciclo costuma se fortalecer com a ilusão de que “a próxima aposta vai resolver”, mas na prática aumenta o endividamento e o sofrimento. Entre os apostadores de bets, 66,8% foram classificados em uso de risco ou problemático, um percentual muito acima do observado em outras modalidades.

Sinais de alerta

Alguns sinais merecem atenção imediata:

  • Apostar mais do que podia perder.
  • Tentar recuperar dinheiro perdido com novas apostas.
  • Mentir para familiares sobre tempo ou valores apostados.
  • Usar dinheiro do aluguel, contas ou cartão para apostar.
  • Ficar irritado, ansioso ou deprimido quando não aposta.
  • Isolar-se da família e dos amigos.
  • Ter empréstimos, atrasos ou dívidas crescentes.

Nos adolescentes, o risco é ainda mais preocupante. A pesquisa citada aponta que 10,5% dos jovens entre 14 e 17 anos disseram ter jogado no último ano, e 55,2% deles estão na zona de risco.

Como tratar na prática

O tratamento costuma funcionar melhor quando combina apoio psicológico, organização financeira e suporte familiar. A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental, ajuda a identificar gatilhos, mudar pensamentos distorcidos e construir estratégias para resistir ao impulso de apostar.

Também pode ser necessário acompanhamento psiquiátrico, principalmente quando há ansiedade, depressão, insônia ou outras condições associadas. Grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, são outra ferramenta importante porque oferecem acolhimento e troca de experiências sem julgamento.

Passos recomendados para a pessoa

Se a pessoa reconhece que está perdendo o controle, o caminho mais seguro é começar por medidas objetivas:

  1. Admitir o problema sem se culpar.
  2. Parar de apostar o quanto antes.
  3. Bloquear aplicativos, sites e notificações ligados a apostas (e usar a plataforma de autoexclusão do gov.br).
  4. Sair de grupos e canais que incentivam o jogo.
  5. Entregar o controle financeiro temporário a alguém de confiança.
  6. Procurar psicólogo, psiquiatra ou grupo de apoio.
  7. Evitar ficar sozinho em momentos de maior vulnerabilidade, como jogos de futebol ou horários de estresse.

Essas medidas não resolvem tudo de uma vez, mas ajudam a interromper o ciclo da compulsão.

Como a família pode ajudar

A família tem papel decisivo, mas precisa agir com firmeza e carinho ao mesmo tempo. O melhor apoio não é o discurso de culpa, e sim a proteção prática: conversar com clareza, evitar julgamentos e não encobrir dívidas ou prejuízos criados pelas apostas.

Também é importante não emprestar dinheiro para “resolver o mês”, porque isso pode manter o ciclo ativo. O ideal é combinar limites, reorganizar o orçamento da casa e incentivar atendimento especializado, sem deixar a pessoa sozinha com o problema.

Uma boa forma de conversar é dizer algo como: “Eu me preocupo com você, vejo que isso está trazendo prejuízos e quero te ajudar a buscar tratamento”. Esse tipo de abordagem reduz defesa e aumenta a chance de aceitação.

Um exemplo prático

Imagine alguém que começou apostando R$ 20 por semana e, em poucos meses, passou a usar o limite do cartão para tentar “virar o jogo”. A pessoa esconde isso da família, fica irritada quando é questionada e começa a atrasar contas. Nesse ponto, o problema já deixou de ser entretenimento e virou risco financeiro e emocional.

O melhor caminho não é esperar “passar sozinho”. É interromper as apostas, buscar ajuda e reorganizar a vida financeira antes que a dívida e a culpa aumentem.

Onde buscar ajuda

É possível procurar psicólogos, psiquiatras, ambulatórios de saúde mental, grupos de apoio e serviços públicos ligados à rede de saúde. Também existem serviços de apoio emocional e orientação para jogadores e familiares afetados pelo problema.

Quando houver risco de crise emocional, desesperança intensa ou ideação suicida, a ajuda deve ser imediata por meio de atendimento de urgência e rede de saúde mental.

Veja também: precisamos falar sobre apostas esportivas

Fontes

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais com ampla experiência no mundo corporativo, liderando unidades de negócios, equipes e transformado estratégia em prática por todas as empresas em que trabalhou. Liderou grandes negociações com instituições financeiras de grande porte, com impacto de bilhões de reais em faturamento e receita.

Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA – USP, professor de MBA do IBMEC, colunista da Investing.com, entre outras atividades.

Empreendeu em várias empresas como investidor, em paralelo com a vida executiva, e aprendeu com sucessos e fracassos nesse segmento.

Entendeu e aplicou a importância de ter equilíbrio financeiro ao longo de mais de 30 anos de investimentos em vários setores, com amplo sucesso. Fez 1 milhão de reais de patrimônio antes dos 30 anos de idade, e hoje divide esses aprendizados.

Para isso, criou e lidera a iniciativa A hora do dinheiro, com uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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