Pessoas otimistas investem mais! Saiba porque

Pessoas otimistas investem mais! Saiba porque

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A relação entre psicologia e finanças pessoais vai muito além de números e planilhas. Um fator comportamental em especial tem ganhado destaque recente: o otimismo. Segundo um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, pessoas otimistas tendem a poupar mais dinheiro ao longo do tempo, e esse efeito é ainda mais relevante entre indivíduos de baixa renda.

O que é otimismo financeiro?

O chamado “otimismo disposicional” refere-se à tendência de esperar resultados positivos no futuro. No contexto financeiro, isso se traduz na crença de que vale a pena economizar hoje porque haverá benefícios amanhã.

Diferente da visão comum de que pessoas otimistas podem ser excessivamente confiantes e gastar mais, o estudo mostra o oposto: o otimismo pode funcionar como um recurso psicológico que incentiva o comportamento de poupança.

O que diz o estudo

A pesquisa analisou dados de mais de 140 mil participantes em diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e nações europeias. Os resultados foram consistentes:

  • Indivíduos mais otimistas apresentaram maiores níveis de poupança.
  • Um aumento de um desvio padrão no nível de otimismo foi associado a aproximadamente US$ 1.352 a mais em economias, considerando uma base média de US$ 8.000.
  • O efeito do otimismo foi comparável ao da conscienciosidade (um traço de personalidade clássico ligado a bons resultados financeiros).
  • O impacto do otimismo foi ligeiramente superior ao da educação financeira e da tolerância ao risco.

Ou seja, não se trata apenas de conhecimento técnico: o estado mental também desempenha um papel relevante na construção de patrimônio.

Por que o impacto é maior entre pessoas de baixa renda?

O estudo aponta que o efeito do otimismo é mais forte entre indivíduos com menor renda. Isso ocorre porque, para quem vive com orçamento apertado, poupar pode parecer inútil ou inviável.

Nesse contexto, o otimismo atua como um motor comportamental:

  • Ajuda a manter a disciplina mesmo com recursos limitados
  • Reduz a sensação de “futilidade” em poupar pequenas quantias
  • Incentiva decisões financeiras de longo prazo

Por outro lado, pessoas de renda mais alta frequentemente já possuem mecanismos automáticos de poupança, como contribuições previdenciárias ou financiamento imobiliário, o que reduz a dependência desse fator psicológico.

Implicações para educação financeira

Para quem trabalha com educação financeira, o estudo traz um insight importante: ensinar apenas conceitos técnicos pode não ser suficiente.

Programas mais eficazes podem combinar:

  • Educação financeira tradicional (controle de gastos, investimentos, orçamento)
  • Desenvolvimento comportamental (visão de longo prazo, fortalecimento da resiliência, otimismo quanto ao futuro através da ação planejada)

Um exemplo prático: ao invés de apenas ensinar alguém a montar uma reserva de emergência, também é importante reforçar a visão de futuro e o impacto positivo dessa decisão ao longo do tempo.

Aplicação prática no dia a dia

Incorporar o otimismo na vida financeira não significa ignorar riscos ou agir de forma ingênua. Trata-se de construir uma expectativa realista, porém positiva, sobre o futuro.

Algumas estratégias incluem:

  • Definir metas financeiras claras e alcançáveis
  • Visualizar objetivos de longo prazo (como independência financeira)
  • Acompanhar pequenos progressos para reforçar o comportamento
  • Evitar vieses negativos que levam à desistência precoce

Esse conjunto pode aumentar significativamente a consistência nos hábitos financeiros.

Veja também: Cuidado com o que você pensa!

Referência

GLADSTONE, Joe; POMERANCE, Justin. A Glass Half Full of Money: Dispositional Optimism and Wealth Accumulation Across the Income Spectrum. Journal of Personality and Social Psychology, 30 jan. 2025. Disponível em: <https://www.apa.org/pubs/journals/releases/psp-psp1281147.pdf>. Acesso em 11 de julho de 2026.

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais com ampla experiência no mundo corporativo, liderando unidades de negócios, equipes e transformado estratégia em prática por todas as empresas em que trabalhou. Liderou grandes negociações com instituições financeiras de grande porte, com impacto de bilhões de reais em faturamento e receita.

Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA – USP, professor de MBA do IBMEC, colunista da Investing.com, entre outras atividades.

Empreendeu em várias empresas como investidor, em paralelo com a vida executiva, e aprendeu com sucessos e fracassos nesse segmento.

Entendeu e aplicou a importância de ter equilíbrio financeiro ao longo de mais de 30 anos de investimentos em vários setores, com amplo sucesso. Fez 1 milhão de reais de patrimônio antes dos 30 anos de idade, e hoje divide esses aprendizados.

Para isso, criou e lidera a iniciativa A hora do dinheiro, com uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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