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Poupar dinheiro é um dos maiores desafios financeiros da atualidade, e não apenas por falta de renda. Um estudo recente publicado pela American Psychological Association (APA), Associação Americana de Psicologia, mostra que o sucesso na poupança pode estar diretamente ligado à sua personalidade.
Taxas de poupança seguem em níveis preocupantes
Nos Estados Unidos e em diversas partes do mundo, os níveis de poupança continuam baixos. Em outubro de 2022, o Bureau of Economic Analysis (Departamento de Análise Econômica dos EUA), revelou que os americanos estavam poupando apenas 2,3% da renda, o menor nível em quase duas décadas.
Apesar do desejo comum de economizar mais, muitas pessoas enfrentam um obstáculo psicológico: a dificuldade de abrir mão de benefícios imediatos em troca de ganhos futuros.
A relação entre personalidade e objetivos financeiros
A pesquisa conduzida por Sandra Matz, da Universidade Columbia, Joe Gladstone, da Universidade do Colorado em Boulder, e Robert Farrokhnia, também da Universidade Columbia, investigou se alinhar metas de poupança aos traços de personalidade pode facilitar o ato de economizar.
O estudo foi publicado no periódico American Psychologist, e baseia-se no modelo dos Big Five, Cinco Grandes fatores de personalidade:
- Amabilidade, empatia e cooperação
- Conscienciosidade, organização e responsabilidade
- Neuroticismo
- Abertura para o novo
- Extroversão
A hipótese central é que determinados objetivos financeiros são mais eficazes quando compatíveis com o perfil psicológico do indivíduo.
Exemplo prático
Pessoas com alta amabilidade tendem a poupar menos. Segundo os pesquisadores, isso pode ocorrer porque possivelmente foram ensinadas que valorizar as pessoas e valorizar o dinheiro são coisas que entram em conflito, e que “pessoas legais” não valorizam o dinheiro.
No entanto, ao reformular o objetivo, por exemplo, poupar para proteger a família, o comportamento muda. O dinheiro deixa de ser um fim e passa a ser um meio alinhado aos seus valores.
Metodologia da pesquisa
Análise com 2.447 participantes
Os pesquisadores analisaram dados de 2.447 indivíduos no Reino Unido, avaliando:
- Traços de personalidade
- Objetivos de poupança
- Nível de economia acumulada
As metas incluíam:
- Compra futura, como um carro
- Lazer e férias
- Reserva de emergência
- Aposentadoria
Resultados: pessoas com metas alinhadas à personalidade apresentaram maior nível de poupança. Esse efeito explicou cerca de 5% da variação no montante poupado, independentemente da renda.
Experimento com 6.056 participantes
Em um experimento prático com usuários do aplicativo SaverLife, todos com menos de US$ 100 poupados, os participantes foram incentivados a economizar US$ 100 em um mês.
Eles foram divididos em cinco grupos:
- Metas alinhadas à personalidade
- Metas incompatíveis
- Metas aleatórias
- Mensagens genéricas
- Sem intervenção, grupo de controle
Veja também: Não acreditamos nessa conversa de “mentalidade rica” e “mentalidade pobre” – e a ciência está do nosso lado.
Resultados do experimento
Entre os participantes que abriram os e-mails:
- 11,4% atingiram a meta, grupo alinhado à personalidade
- 7,42%, mensagem padrão
- 7,46%, grupo aleatório
- 7,85%, grupo incompatível
- 3,4%, grupo de controle
Entre aqueles que não abriram os e-mails, a taxa foi de aproximadamente 3%.
No geral, indivíduos que receberam mensagens personalizadas tiveram 3,57 vezes mais chances de atingir a meta de poupança em comparação ao grupo de controle.
Implicações práticas para educação financeira
Os resultados mostram que estratégias personalizadas podem ser mais eficazes do que abordagens genéricas. Isso abre espaço para:
- Aplicativos financeiros mais inteligentes
- Programas de educação financeira personalizados
- Comunicação segmentada por perfil comportamental
Segundo os autores, o objetivo foi não apenas contribuir academicamente, mas também criar soluções aplicáveis no mundo real, especialmente para famílias de baixa renda, que enfrentam maiores dificuldades para poupar.
Conclusão: poupar melhor começa pelo autoconhecimento
O estudo reforça um ponto essencial: não existe uma estratégia universal de poupança. O que funciona depende de quem você é.
Alinhar seus objetivos financeiros aos seus traços de personalidade pode ser a chave para transformar intenção em ação e finalmente conseguir economizar de forma consistente.
Fonte
Artigo: “Leveraging Psychological Fit to Encourage Saving Behavior,” por Sandra C. Matz, PhD, e Robert Farrokhnia, PhD, da Universidade Columbia, e Joe J. Gladstone, da Universidade do Colorado Boulder. American Psychologist, publicado online em 27 de fevereiro de 2023. Disponível em: <https://www.apa.org/pubs/journals/releases/amp-amp0001128.pdf>. Acesso em 09 de julho de 2026





