Contando histórias para ensinar sobre dinheiro

Contando histórias para ensinar sobre dinheiro

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Contando histórias para ensinar sobre dinheiro
dreamstime - Yuri Arcurs
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Não é de hoje que acompanhamos notícias sobre o endividamento pessoal das famílias brasileiras. Em tempos de taxa básica de juros a 15% ao ano, cresce a inadimplência à medida em que mais e mais famílias têm dificuldade em manter as contas em dia. 

Cartões de crédito, empréstimos e financiamentos costumam ser apontados como os “vilões” da história, mas estão longe de ser a causa raiz. À grande parte dos brasileiros falta educação financeira, conhecimento básico sobre organização do dinheiro, economia e investimentos, que podem fazer a diferença entre um futuro tranquilo e uma dívida que não para de crescer. 

Este cenário não mudará no curto prazo, uma vez que a grande maioria das pessoas tem pouco ou nenhum acesso e/ou interesse no assunto, mas as famílias podem garantir que as novas gerações cresçam com mais conhecimento. 

Aprender pode ser divertido

Uma das formas mais simples de ensinar valores e conceitos diversos às crianças é através de histórias. Fábulas e histórias infantis são capazes de transformar ideias complexas em situações simples, fáceis de memorizar e entender. Através de uma situação que se passa com um personagem, eles conseguem refletir sobre comportamentos, escolhas e consequências de forma lúdica. Muitas fábulas clássicas atribuídas a autores como Esopo e La Fontaine foram criadas justamente para ensinar lições de forma simples e memorável. 

Existem várias histórias infantis que podem ajudar a ensinar educação financeira de forma simples — mostrando a importância das nossas escolhas, paciência, planejamento e valor do dinheiro. Aqui estão alguns bons exemplos de como tornar a hora da leitura ainda mais enriquecedora:

  • A Cigarra e a Formiga: Esta fábula clássica mostra claramente a diferença de atitude dos personagens em relação ao futuro, e pode fazer pensar sobre planejamento, responsabilidade, a importância de se preparar para o futuro e do equilíbrio entre trabalho e diversão. 
  • Os Três Porquinhos: Ilustra perfeitamente a diferença entre escolhas rápidas, porém frágeis (casa de palha/madeira), e escolhas pensadas na segurança a longo prazo (casa de tijolos). Também exemplifica a importância do esforço e do trabalho duro como base para construir um futuro mais tranquilo.
  • João e o Pé de Feijão: No começo da história, João troca a vaca da família por feijões mágicos, sem avaliar direito se foi um bom negócio. Os feijões parecem inúteis no início, mas depois se tornam uma grande oportunidade quando nasce o pé de feijão. Esta história traz várias reflexões, como a importância de pensar antes de gastar ou negociar algo valioso, e ao mesmo tempo, também demonstra que algumas decisões envolvem risco, que ao final podem valer a pena.

E para os mais crescidinhos?

Para os adolescentes, a dica são livros clássicos sobre educação financeira, adaptados para os jovens: 

  • O Homem Mais rico da Babilônia (Versão para Jovens): Entre outras coisas, ensina a importância de guardar uma parte da renda para poupar, e como fazer o dinheiro trabalhar a seu favor.
  • Pai Rico Pai Pobre para Jovens: Essa versão explica conceitos de dinheiro com exemplos próximos da realidade de crianças e adolescentes. 
  • O Plano Perfeito: Neste livro brasileiro escrito por Ziraldo e Nathália Rodrigues (conhecida por ensinar educação financeira de forma simples nas redes sociais), a turma do Menino Maluquinho aprende a lidar com dinheiro em situações do dia a dia, com desafios e decisões que fazem as crianças refletirem sobre escolhas financeiras.

Partir do Exemplo

Independentemente da idade da sua criança, lembre-se de que o melhor método de ensino é o exemplo. Incluir os filhos no planejamento da viagem de férias, a troca do automóvel, ou mesmo decidir o valor da mesada, são atitudes positivas para a educação financeira. 

É importante, porém, ter em mente que as crianças não são responsáveis pela saúde financeira do lar, por isso evite falar de dívidas e problemas financeiros na frente dos filhos, pois isso pode gerar ansiedade e criar aversão ao assunto, exatamente o contrário do objetivo inicial.

Fontes

Banco Central do Brasil (taxa básica de juros)

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais com ampla experiência no mundo corporativo, liderando unidades de negócios, equipes e transformado estratégia em prática por todas as empresas em que trabalhou. Liderou grandes negociações com instituições financeiras de grande porte, com impacto de bilhões de reais em faturamento e receita.

Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA – USP, professor de MBA do IBMEC, colunista da Investing.com, entre outras atividades.

Empreendeu em várias empresas como investidor, em paralelo com a vida executiva, e aprendeu com sucessos e fracassos nesse segmento.

Entendeu e aplicou a importância de ter equilíbrio financeiro ao longo de mais de 30 anos de investimentos em vários setores, com amplo sucesso. Fez 1 milhão de reais de patrimônio antes dos 30 anos de idade, e hoje divide esses aprendizados.

Para isso, criou e lidera a iniciativa A hora do dinheiro, com uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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