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Investi em uma financeira pouco conhecida e ela quebrou. E agora?

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Wayhome studio / shutterstock

 

Resumo  Se você já investe (ou está começando a investir), certamente ouviu falar que certas classes de investimentos possuem a tal garantia do FGC. Mas o que é essa garantia? Será que ela realmente funciona? Será que ela protege meu investimento se o banco (ou a financeira) para quem empresto meu dinheiro quebrar? Responderemos a essas perguntas no texto a seguir, com testemunho de um caso real.

 

Rentabilidade x segurança

 

Uma das formas de conseguir uma rentabilidade mais alta nos investimentos é aplicar em instituições financeiras menores, pouco conhecidas do público em geral. Elas costumam prometer um retorno mais atrativo que o dos grandes bancos, justamente para atrair novos investidores, dispostos a correr riscos junto com elas.

Para entender melhor essa ideia, imagine que você tenha dinheiro sobrando e queira investir em uma cafeteria do seu bairro. Em troca do seu empréstimo, irá receber o dinheiro de volta depois de dois anos, com um pagamento extra (juros) sobre esse valor.

Digamos que duas empresas venham te procurar, e uma delas é franquia de uma grande cafeteria, com a marca forte, prédio próprio, vários funcionários e uma estrutura bem sólida, que inspira confiança.

A outra é uma pequena cafeteria da esquina, que abriu recentemente, com sócios jovens no bairro, em um imóvel alugado e um longo caminho pela frente para se tornar conhecida. Se as duas lhe prometerem o mesmo retorno financeiro ao final do prazo do empréstimo, para qual delas você emprestaria seu dinheiro?

Olhando apenas o aspecto financeiro, é mais provável que você esteja disposto(a) a emprestar para uma cafeteria maior, pois aparentemente teria menos risco de perder seu dinheiro. Então, para te atrair a investir em um negócio de maior risco, os jovens empreendedores lhe oferecem o dobro do retorno. E agora? É um caso a se pensar…

Pois bem, com os bancos menores acontece a mesma coisa. Eles procuram os investidores oferecendo condições mais atrativas, para compensar os riscos da operação. Mas, como é que podemos emprestar o nosso dinheiro para bancos e financeiras?

Basta comprar um CDB (Certificado de Depósito Bancário), no caso de bancos ou uma LC (Letra de Câmbio), no caso das financeiras. Quando compra esses títulos, você está, na verdade, fazendo um empréstimo para eles.

 

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

 

Para reduzir o risco ao investidor, em 1995, foi criado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ideia é bem simples: todos os bancos e financeiras associados ao FGC reservam uma parte de seus recursos nesse fundo para socorrer as instituições que entrarem em falência e pagarem seus credores.

Assim, o sistema todo fica mais sólido e os investidores, como eu e você, temos mais segurança para investir nosso suado dinheirinho. Nem tudo é garantido pelo FGC, mas a conta corrente, a poupança, os depósitos a prazo (como CDBs, RDBs), as Letras de Câmbio, LH, LCI e LCA e outras operações têm essa garantia.

Na prática, se você tiver até R$250 mil investidos em um desses tipos de aplicação e a instituição quebrar, você recebe seu dinheiro de volta.  Mas será que isso funciona mesmo?

 

Recentemente, eu vivi essa experiência na pele e posso comprovar que funciona:

 

Em junho de 2018, eu comprei uma Letra de Câmbio da Dacasa Financeira. Na prática, eu emprestei dinheiro para essa financeira em troca de um retorno já determinado no momento da aplicação.

O vencimento seria em 3 anos, portanto em 2021, eu receberia meu dinheiro de volta mais um retorno sobre esse valor. Acontece que a empresa entrou em liquidação extrajudicial (faliu) em fevereiro de 2020. Por um momento, eu gelei. Por mais que eu soubesse da garantia do FGC, confesso que fiquei meio tensa, sem saber se veria meu dinheiro. E não é que funcionou?

No mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação da empresa, recebi um e-mail da minha corretora esclarecendo o fato, dizendo que o meu saldo, a partir daquele momento, ficaria congelado (ou seja, sem novos retornos) e informando que em breve eu receberia mais detalhes sobre como retirar meu dinheiro. Olha o e-mail que eu recebi:

 

Prezado(a) investidor(a),

 

Considerando que você possui investimentos em ativos emitidos pela DACASA FINANCEIRA S/A – SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO, CNPJ 27.406.222/0001-65 (“DACASA”), informamos que hoje, 13 de fevereiro de 2020, o Banco Central enviou o comunicado, conforme link abaixo, decretando a liquidação extrajudicial da DACASA.

Desta forma, a partir de hoje, iniciarão os processos da liquidação extrajudicial incluindo os procedimentos junto ao Fundo Garantidor de Créditos – FGC. Informamos também que, os saldos dos seus investimentos serão congelados, ou seja, deixarão de ser remunerados.

Em breve, enviaremos comunicado informando todo procedimento dessa liquidação extrajudicial e os procedimentos do FGC.

Nos links abaixo, é possível verificar o comunicado do Banco Central e mais informações sobre a garantia do FGC: Banco Central do Brasil FGC – Fundo Garantidor de Créditos

Contate seu assessor para maiores esclarecimentos e/ou dúvidas. 

Para a sua melhor experiência como investidor, a CVM estabelece na Instrução Normativa 542 que como sua corretora de investimentos, a XXXXX deve mantê-lo informado sobre comunicados divulgados referente aos ativos de Renda Fixa que você tem em sua carteira.

Atenciosamente,

Corretora XXXXX”

 

Quando eu recebi meu dinheiro de volta?

 

Depois de receber esse e-mail, como sou desconfiada, tratei de ligar para a minha corretora de valores para confirmar se a informação era verdade e estava tudo certo.

No mesmo dia, recebi outro e-mail, dizendo que levaria entre 30 e 90 dias para eu receber meu dinheiro de volta e que eu saberia o valor exato quando fosse até a agência bancária indicada pelo FGC para retirar os valores.

Um mês depois, recebi um novo e-mail, explicando os documentos, o local e o prazo para que eu pudesse receber os valores a que tinha direito. Alguns dias depois, lá estava eu no balcão da agência, com meu RG e a carta que recebi da corretora para retirar o dinheiro.

Foi rápido e sem burocracia, pude transferir o valor para a conta de minha preferência e, em alguns minutos, saí da agência com o comprovante de depósito e o coração aliviado, pois não perdi nenhum centavo da operação.

 

Lições aprendidas:

 

  1. Você pode investir sem medo em uma instituição financeira pequena, desde que a aplicação tenha garantia do FGC.
  2. O resgate do dinheiro pelo FGC funciona de verdade, mas leva um tempinho para você receber o valor a que tem direito.
  3. Você não precisa ter conta no banco indicado pelo FGC para retirar seu dinheiro, pode indicar a conta de sua preferência.
  4. Se você não puder ir à agência indicada, pode enviar um procurador no seu lugar.

 

Você pode se interessar: CDB, RDB e FGC. O que significa essa sopa de letras?

 

Fontes

 

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