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A inflação da tragédia

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Joa Souza - Dreamstime

Resumo – A última tragédia causada pelas fortes chuvas no litoral norte do Estado de São Paulo levantou uma discussão sobre a inflação de produtos de sobrevivência básica.

 

Toda estação chuvosa é a mesma coisa

 

Tivemos uma tragédia de grandes proporções no Estado de São Paulo, no último carnaval. 

No litoral norte – região onde fica a cidade de São Sebastião, tivemos chuvas em quantidades incomuns que acabaram por causar inúmeros desabamentos de terra, inundações, destruição nas cidades e nas praias.

A maior catástrofe se deu na perda de vidas. Até hoje de manhã, 64 pessoas foram localizadas mortas pela ação das águas, soterradas pelo barro ou pelos destroços resultantes dessa calamidade.

Além de mais de 1100 pessoas desabrigadas e outras 1090 desalojadas de suas casas.

Infelizmente, as cidades e as praias não estavam preparadas para enfrentar de maneira adequada esse evento.

 

Quais foram as causas desse desastre?

 

Alguns dizem que a quantidade de chuva foi muito alta, portanto, um evento extremo e sem condições de previsão. 

Outros dizem que não existe infraestrutura adequada em nosso país.

De todo o modo, temos um grande desafio imediato de acudir as vítimas e reconstruir casas, escolas, ruas e hospitais.

 

Há quem se aproveite dessa situação?

 

Um dos temas que tem chamado muito a atenção é a notícia de que alguns comércios locais estariam se aproveitando da situação para cobrarem preços exorbitantes nos produtos que as pessoas estão precisando. 

Itens de necessidade básica, como:

  • Produtos de limpeza pessoal, 
  • Alimentos, como macarrão,
  • Água.

Nenhuma dessas informações foi confirmada e, até o momento, a hipótese mais plausível para este caso é que ele tenha sido um boato, que colocou a vida dos comerciantes locais em risco, sob ameaças de linchamento por parte da população. 

Mas, de qualquer maneira, fica a pergunta: “Poderia o comércio fazer isso?”

Nossa resposta é óbvia: “Não, o comércio não poderia fazer isso.” 

Veja o nosso último vídeo

Existe uma lógica econômica que explique esse fenômeno?

 

Não é justo aumentar preços de produtos diante de uma tragédia, diante da morte e do desamparo das pessoas.

Porém, temos um dado da vida real que é o fato de que os custos dos produtos aumentam nesse período por conta da destruição das infraestruturas.

Outro ponto diz respeito à interpretação de que a lei da oferta e da demanda entra em ação, e ela não tem sentimentos: 

  • Aumentou a demanda, aumenta o preço.
  • Diminuiu a oferta, aumenta o preço.

 

Quando precisamos deixar esse pensamento de lado? 

 

Mas existem situações em que as leis e as regras do dia a dia devem ser reconsideradas

Numa tragédia como essa que estamos vivendo, não é uma atitude moralmente defensável aumentar preços, e a moral se sobrepõe aos argumentos econômicos. 

Sob pena da pessoa que escolher aumentar preços se tornar uma pária naquela comunidade

Não dá para fazer isso.

 

Pensar o prejuízo momentâneo como uma contribuição à comunidade

 

Se os comerciantes estão tendo prejuízo na venda desses produtos, deveriam considerar esse prejuízo como a contribuição que estão dando à comunidade onde estão instalados. 

Afinal, dependem de seus clientes que, neste momento, são vítimas.

Em último caso, se os prejuízos ocorridos colocarem em risco a manutenção do estabelecimento, podem pedir apoio ao Estado para ajudá-los, e o Estado deve achar meios para fazer isso. 

Todos devem se ajudar nesse momento.

 

Reflexões sobre uma tragédia nos EUA

 

Em 2005, quando do evento do furacão Katrina, em Nova Orleans, 1200 pessoas perderam a vida e mais de 35.000 famílias ficaram sem suas casas, aconteceram rumores de que certos comércios haviam abusado nos preços. 

Esses rumores não se confirmaram. Na prática, os preços na região subiram cerca de 2% em até 3 meses após o furacão.

Os comerciantes tendem a não querer afrontar seus clientes com esse tipo de atitude. 

Sábia decisão.

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA - USP. Executivo em empresas multinacionais nas áreas de desenvolvimento de negócios, marketing e estratégia. Possui ampla experiência no empreendedorismo e hoje divide esses aprendizados. Para isso, o especialista criou e lidera o canal A hora do dinheiro , com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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