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O carro, o barulho e a praça

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Foto: Luciano Spagnol Ribeiro / shutterstock

Resumo: Estamos sempre criando comparações. Comparamos nossas posses com as posses de outras pessoas. Comparamos nossos empregos, nosso tempo livre, nosso peso, nossos relacionamentos. E, por melhor que seja a situação, sempre encontramos uma maneira de querer mais. Aqui, você vai ler uma história real sobre comportamentos superficiais e ainda algumas reflexões a respeito da vida. Boa leitura!

A grama do vizinho é sempre mais verde

Um sentimento comum que assola muitas pessoas hoje em dia é a impressão de que o outro é sempre mais feliz que nós mesmos. A famosa frase “a grama do vizinho é mais verde que a nossa” não é muito popular à toa. Essa percepção está no inconsciente de muita gente.

Essa sensação tem a inveja como um de seus sentimentos que aparecem por consequência disso. “Quero ter o que o outro possui”, ou terei um sentimento negativo por ver o que ele conseguiu. Invejamos o sucesso do outro o tempo todo (com o conceito de sucesso limitado à posse de coisas materiais).

Outro sentimento atrelado a isso é a insatisfação própria com a vida. Tudo o que que já conquistamos – conquistas materiais ou não -, são pouco. Eternamente insatisfeitos, nos sentindo menores, ansiando pelas coisas dos outros, por conquistas que poderiam ser nossas, experimentando incompletude com nossas vidas. Insuficiência e precisando de mais.

Um certo vazio existencial recorrente e uma não-satisfação geral. Nossa auto-estima precisando de uma injeção de ânimo diária. E, nesse estado de desânimo, como se não bastasse, olhamos para o lado, e o outro começa a exibir seu sucesso, demonstrado pela sua infindável quantidade de coisas bonitas e caras que acabou de adquirir e que, portanto, o faz melhor que você.

Aquilo que o outro possui é melhor que o que possuímos, e é exatamente o que desejamos. Isso vale também para outros sinais e evidências de sucesso: um cargo altamente concorrido, uma bolsa de estudos, um relacionamento amoroso estável e feliz. E, em nossas mentes, a certeza de que ao conquistarmos essas metas, seremos felizes. “Chegaremos lá!”.

Será mesmo?

 

O carro

Sabemos que, quando uma pessoa alcança as coisas de seu desejo, logo o processo se reinicia, e começamos a olhar para os outros. Lembro quando eu trabalhava em uma empresa que passou a oferecer carro para as pessoas do cargo que eu ocupava. Foi muito legal a sensação de receber um automóvel zerinho para meu uso, com gasolina e manutenção pagos pela corporação. Sem desembolsar um centavinho sequer.

Em menos de um mês, meus colegas que tiverem direito ao mesmo mimo passaram a reclamar do tipo do carro. Que não tinha banco de couro… que outras empresas davam carros melhores… e por aí foi… quase ficaram tristes por ter recebido esse veículo… (oi ??)

Onde acaba isso de sempre querer mais, melhor, será que isso um dia acaba? Somos provavelmente vítimas do conceito de que ter é poder. Sermos donos de coisas nos faria melhores do que os outros que não são donos dessas coisas. Precisamos ser mais que os outros… numa eterna competição de quem é melhor.

Muito provavelmente são as coisas que nos possuem, e não o contrário. Somos escravos de uma necessidade de externalizar beleza, riqueza, poder. Parece estranho, mas não usamos todas as coisas que temos. Muitas delas são apenas para mostrar mesmo. E logo aquela moda acaba e partimos para a próxima compra.

 

O barulho (e a praça)

Um domingo desses eu estava passeando com meus filhos numa praça na cidade onde eu moro. Não era no bairro onde vivo, e sim num dos bairros mais chiques e caros da cidade. A praça é super bonita e não tem muita gente (um dos pré-requisitos de nossas praças favoritas). De repente, fomos surpreendidos por um barulho super potente, de um carro daqueles com motor de milhares de cavalos – coisa de quase Fórmula 1.

Não consegui identificar a marca do bólido, mas era dos mais caros à venda. O que mais me causou curiosidade nem foi o carro, mas sim o comportamento do motorista. Ficou andando em volta da praça várias vezes, acelerando, a cada hora mais ensurdecedor. Dava voltas na praça, e repetia. Ele tinha uma atenção especial com um grupo que estava próximo a um posto de gasolina, quase que tentava sair voando quando passava diante de um pequeno grupo que se acumulava lá.

Sua mensagem era muito clara: sou rico, forte, poderoso e bonito. Ou pelo menos me considero assim e quero demonstrar isso para vocês.

 

Para refletirmos

Não somos nada além dos limites de nossas vidas, de nossas relações, de nossas famílias e de quem amamos. Somos apenas o resultado de nossos afetos, como bem a psicologia demonstra.

Ou seja, nossas vidas são a emoção verdadeira que geramos nos outros e a emoção que os outros geram em nós.

O resto é só um carro fazendo barulho em volta da praça.

 

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