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Afinal, o que é mesmo a taxa Selic? (E por que ela tanto nos afeta?)

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Dreamstime - Matyas Rehak

Resumo – Entenda como os movimentos de alta e baixa da taxa selic impactam a economia e o seu dia a dia, sem precisar ouvir análises a cada nova reunião do Banco Central.

 

Você sabe que o governo não tem dinheiro suficiente para pagar por tudo o que faz e precisa pedir recursos emprestados, né? 

Todos os governos funcionam assim no mundo. Uns pedem mais, outros menos. Outros se endividam acima de qualquer limite, como a Argentina. 

A taxa Selic é a taxa que o governo brasileiro paga de juros quando pede dinheiro emprestado. Esse índice tem muita importância, porque bilhões são emprestados ao governo, e outros investimentos acabam se comparando a ela o tempo todo. 

Ele se torna referência para investimentos e empréstimos no país. O nível da taxa e o momento em que ela sobe ou desce passam a ser indicações da saúde da economia e impactam nas contas das empresas (que tomam empréstimos baseados em alíquotas parecidas) e na vida das pessoas físicas que pedem empréstimo, também com índices conectados à Selic.

A definição da taxa Selic no Brasil é função de um órgão chamado Copom. Isso está na lei. É assim que funciona para ser respeitado.

 

Observando padrões

 

A cada nova reunião do Banco Central, ocorre um interessante fenômeno na bolha de finanças aqui no Brasil: milhares de influencers da área já estão preparados, com caras e bocas devidamente editados nas capas e thumbnails que se seguem ao anúncio da nova taxa básica de juros para os próximos 45 dias.

O comitê responsável por este trabalho, chamado COPOM (Comitê de Política Monetária), reúne-se por dois dias e discute aspectos relacionados aos dados mais atualizados da economia nacional, considerando também o cenário internacional.

Com base nessas informações (e nas famosas expectativas dos agentes de mercado, isto é, bancos, casas de análises, fundos de investimento, etc.), as pessoas que fazem parte deste comitê votam para decidir qual será o valor da taxa básica de juros (chamada de taxa Selic) para os próximos 45 dias.

Esse fenômeno acontece, em média, 8 vezes por ano. E entender os motivos que levam os membros deste seleto grupo de pessoas a definir o patamar da principal taxa de juros de nossa economia é um exercício real de cidadania. Tanto para apoiar a decisão, quanto para discordar dela, apresentando alternativas baseadas em evidências. 

Dessa forma, trata-se de um exercício importante para guiar sua vida financeira, principalmente os investimentos. Existem movimentos restritivos da Selic (alta de juros, que inibe a atividade econômica) e movimentos estimulativos (queda dos juros, que incentiva o crescimento do país).

 

Como entender os impactos dos movimentos da taxa selic em sua vida?

 

Muitos economistas acreditam na ideia de que existam ciclos econômicos.

Esses ciclos se repetiriam ao longo de um determinado período, apresentando momentos em que a atividade econômica teria crescimento, desaceleração e estabilização, e declínio.

Pensando em estabilizar momentos em que a economia esteja ou muito aquecida (ou muito parada), uma das formas de a sociedade intervir nessas situações é através da política monetária, que vai ficar responsável pela regulação do nível de juros (de curto prazo) dentro de uma economia nacional.

Veja, a seguir, como a economia é impactada em caso de alta ou baixa da taxa de juros.

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O que ocorre na economia (e nos investimentos) quando a taxa de juros sobe?

 

Um dos principais trabalhos dos bancos centrais pelo mundo é manter o nível de preços da economia estabilizado, isto é, com a inflação controlada.

Uma economia com inflação descontrolada é péssimo para as pessoas, que perdem poder de compra diariamente. Nós, brasileiros, vivemos isso nas décadas de 1980 e 1990, e não é nada fácil retomar o controle uma vez que ele é perdido.

Nesse sentido, uma das principais formas de se controlar a inflação é através da taxa de juros.

A ideia é a seguinte: com juros mais elevados, o custo para tomar dinheiro emprestado se encarece, o que desestimula as pessoas e as empresas a pegarem crédito no mercado (para construir, reformar, viajar, investir em uma nova ideia, um novo negócio, etc).

Com menos dinheiro circulando na economia, a tendência é que a demanda, ou seja, a procura por bens e serviços também se retraia, criando-se, assim, uma situação favorável à manutenção e diminuição de preços, para atrair clientes com poder de compra momentaneamente reduzido.

Por outro lado, com os juros mais altos, os investimentos em ações tendem a sofrer mais, uma vez que o custo de crédito das empresas fica mais alto. Além disso, as pessoas, com menos dinheiro, compram menos, e muitas companhias optam por diminuir suas margens de lucro para manter a clientela.

Para os governos, o impacto de um aumento de juros significa aumento do custo da dívida pública. Quanto maiores são os juros, maior é a remuneração da pessoa que emprestou para o governo, através dos títulos públicos (sendo o Tesouro Direto uma forma deles).

 

O que ocorre na economia (e nos investimentos) quando a taxa de juros cai?

 

De maneira inversa, todo o cenário acima descrito se desenvolve de acordo com a mesma lógica, mas com sinal trocado:

Uma diminuição da taxa básica de juros faz sentido nos momentos em que a inflação esteja em trajetória de queda, estimulando os agentes a comprarem mais, o que contribui para que a demanda suba e, por sua vez, influencia um aumento nos preços.

Os investimentos em ações tendem a apresentar performance bastante positiva, visto que o custo de dívida das companhias diminui, além do fato de a população ter mais poder aquisitivo para comprar produtos e serviços.

Para os governos, o impacto de uma diminuição de juros significa redução do custo da dívida pública. Quanto menores são os juros, menor é a remuneração da pessoa que emprestou para o governo, através dos títulos públicos (sendo o Tesouro Direto uma forma deles).

 

O segredo está no equilíbrio

 

Como em quase tudo na vida, “o excesso faz mal”, e a ideia não é diferente para a condução da política monetária (juros): 

  • Excesso de taxas baixas tem grande chance de perda de controle da inflação;
  • Excesso de taxas altas tem grande chance de perda de crescimento econômico;
  • Excesso de cuidado em taxas medianas tem grande chance de fracassar em ambos os objetivos.

Como você pode observar, não existe uma escolha que traga apenas benefícios, sempre haverá custos, que serão pagos por diferentes parcelas da sociedade.

A questão é administrar estes custos e benefícios da maneira mais eficiente possível e, para isso, um corpo técnico qualificado, que não deixe de se comunicar com a sociedade, é mais que necessário.

Além disso, a independência deste corpo técnico frente a pressões políticas externas tem se mostrado benéfico para a estabilidade, com a ressalva de que tal independência (política, ideológica, econômica, etc) deve ser seguida por todas as pessoas envolvidas no processo.

 

Fonte

Banco Central do Brasil

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA - USP. Executivo em empresas multinacionais nas áreas de desenvolvimento de negócios, marketing e estratégia. Possui ampla experiência no empreendedorismo e hoje divide esses aprendizados. Para isso, o especialista criou e lidera o canal A hora do dinheiro , com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

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