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Palavrões que o mercado financeiro fala para assustar você – parte 7 (Tipos de Derivativos)

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Resumo A parte 07 da série de textos em que ajudamos você a traduzir os palavrões do mercado financeiro vai se aprofundar em temas relacionados ao mercado de derivativos (tópico iniciado no texto anterior da série), como (1) o conceito de mercados a termo e mercados futuros e opções. Ainda abordaremos as importantes considerações sobre (2) alavancagem, (3) margem de segurança e (4) ajuste de posição.

 

Introdução

 

Como você já deve ter lido no texto anterior da série (parte 6), derivativos são contratos que representam ativos (investimentos) e cujos valores estão atrelados a esses bens e direitos originais.

Seus usos e aplicações no mundo evoluíram imensamente nos últimos 50 anos, principalmente após 1971, com o fim do período em que a moeda americana, o dólar, era mantida em paridade com o ouro.

O início desta nova era no mundo das finanças ficou caracterizado por uma série de instabilidade de preços, tanto para moedas nacionais, quanto em termos de aumento de custos de insumos para as empresas fabricarem seus produtos, assim como diminuição da margem de lucro para efetuar a venda em mercados estrangeiros.

Foi nesse ambiente em que os derivativos assumiram papel central na economia mundial. Com eles, conseguimos, enquanto humanidade, estabilizar preços dos mais diversos produtos em todo o mundo, através de mecanismos de transferência e mitigação de risco.

Por exemplo, com o uso dos derivativos, os mecanismos de gestão de risco e transferências de valores ganharam mais eficiência, proporcionando ganhos de produtividade e de redução de custos em inúmeras cadeias de produção, dos mais diversos setores das atividades econômicas pelo mundo.

Evidentemente, tal como qualquer outro instrumento nas mãos de seres humanos, se não for bem utilizado, pode causar impactos negativos (como na crise de 2008). 

Assim, é fundamental que instituições íntegras e respeitadas façam um controle sério, além de um monitoramento constante das operações com estes produtos.

Desta forma, depois de falarmos um pouco sobre história dos derivativos, vamos aos palavrões do dia:

 

Contrato a Termo

 

Foi a primeira forma de derivativo desenvolvida pela sociedade. É utilizado até os dias de hoje.

O contrato a termo estabelece uma série de direitos e obrigações entre duas partes para comprar ou vender determinada quantidade de um bem (mercadoria ou ativo financeiro), onde são acordados, por exemplo, a quantidade, qualidade, condições de entrega e de liquidação financeira).

Sua principal diferença em relação aos contratos futuros é que a maioria de suas operações ocorre no mercado balcão (OTC – Over the Counter), com contratos não padronizados, sem instituição intermediária e com baixa liquidez.

 

Contrato Futuro

 

É uma evolução do mercado a termo. Também estabelece regras para compra e venda de mercadorias ou ativos financeiros em uma data futura.

Os contratos futuros são apenas negociados em bolsas, com lotes padronizados e margens de garantia exigidas pelas instituições intermediárias (bolsas de valores, de mercadorias e de futuros).

Dessa forma, há maior liquidez entre as partes, com maior facilidade de compra e venda desses papéis e menor chance de judicialização da operação.

Entre outras diferenças dos futuros com relação aos contratos a termo, constam a maior transparência e velocidade aplicadas aos processos de liquidação, o que permite que os preços se ajustem mais rapidamente às leis de oferta e demanda.

Um importante mecanismo presente nos mercados futuros, e que se constitui com uma das maiores distinções frente ao mercado a termo, é a prática do ajuste diário.

No mercado a termo, as posições de compra e venda são liquidadas apenas na data de vencimento do contrato. Esta característica pode aumentar o risco de inadimplência, visto que a diferença entre o preço acordado no contrato e o preço atual de mercado deve ser pago de uma única vez.

Com a introdução do conceito de ajuste, as câmaras de compensação das bolsas ganham mais segurança para garantir as operações entre as partes compradoras e vendedoras dos contratos. Pelo ajuste, as diferenças entre os preços acordados nos contratos e as variações diárias nos preços do produto são compensadas diariamente, diminuindo o risco de insolvência dos participantes da operação. 

Para que o mecanismo de ajuste aconteça, é necessário que as partes depositem uma margem de segurança na sua conta. É ela a garantia que as bolsas possuem para fazer as devidas compensações entre os participantes diariamente.

Assim, com o estabelecimento e a consolidação desta prática de ajustes de chamadas de margem, torna-se possível comprar e vender contratos futuros em quantidades superiores àquelas que uma pessoa (ou empresa). Esta característica é conhecida como alavancagem.

Por exemplo, no Brasil, existem corretoras que exigem margem de segurança por volta dos R$ 100 para que uma pessoa possa operar uma posição de mais de R$ 50.000. Você já consegue ver o perigo desta prática, não é mesmo? Qualquer oscilação mínima do papel pode fazer com que a pessoa tenha grandes prejuízos.

 

Opções

 

As opções são outra categoria de derivativos. Também são contratos que estabelecem direitos e deveres aos participantes da operação.

Vamos ilustrar o funcionamento prático das opções com um caso hipotético

Imagine que você esteja procurando comprar um apartamento em sua cidade, e está pesquisando imóveis por região e faixa de preço.

Em um certo dia, você encontra um apartamento exatamente como você procurava. Mas você apenas terá o dinheiro para efetuar a compra daqui a 45 dias.

Você sabe que, por se tratar de um imóvel localizado em uma ótima região da cidade, podem haver mais pessoas interessadas neste bem e você acabe perdendo a chance de comprá-lo.

Pensando em garantir uma prioridade, você faz a seguinte proposta à proprietária do imóvel:

Dou a você R$ 5.000 pelo direito de comprar este apartamento daqui 45 dias, pelo preço que conversamos hoje (no caso, R$ 190.000).

Em contrapartida, você (a dona) teria a obrigação de assegurar que o apartamento fique vago até o fim deste período, não podendo vendê-lo a mais ninguém, mesmo que façam ofertas com preços mais altos.

Ao final do período, eu posso exercer este direito ou não, comprando o imóvel a R$ 190.000, ou apenas não fazendo nada.

Este mesmo raciocínio é usado no mercado de ações e de outros ativos financeiros. Elas podem funcionar como um seguro para as ações.

 

Por exemplo:

Você possui 500 ações de um banco A, que valem, hoje, R$ 10 cada. Portanto, você possui R$ 5.000 em ações deste banco.

Mas você acredita que pode haver uma crise financeira em um futuro próximo, e decide se proteger.

Assim, você compra uma opção de venda (pelo valor de R$ 0,05 para cada ação), que dá o direito de vender essas ações pelo preço de R$ 9,50 na eventualidade de o preço delas atingir o nível de R$ 7,00.

Dessa forma, se o evento adverso acontecer, você perde apenas R$ 0,50 por ação, e não R$ 3,00 que perderia naturalmente.

Este é um dos vários usos possíveis destes instrumentos, que requer muito conhecimento e prática antes de se aventurar com estes produtos mais complexos e arriscados.

Bem, com este texto fechamos nossa breve introdução ao mercado de derivativos. 

Se você quer saber mais sobre o assunto, entre em contato com a gente, que podemos indicar materiais de leitura confiáveis para você avançar nos estudos.

Continue nos acompanhando aqui para ver os próximos textos da série.

 

Referências

 

  • Marins, A. Mercados derivativos e análise de risco. Vol. 1. 
  • Hull, J. Opções, Futuros e Outros Derivativos. 9ª Edição, 2016. Capítulo 1.
  • Lemos, Flávio. Análise Técnica dos Mercados Financeiros. 2ª Edição. 2018
  • Mercado de Derivativos no Brasil. Conceitos, Produtos e Operações. BM&F Bovespa – CVM – Rio de Janeiro. 1ª Edição 2015.

Por João Victorino

João Victorino é administrador de empresas e especialista em finanças pessoais. Formado em Administração de Empresas e com MBA pela FIA - USP. Executivo em empresas multinacionais nas áreas de desenvolvimento de negócios, marketing e estratégia. Possui ampla experiência no empreendedorismo e hoje divide esses aprendizados. Para isso, o especialista criou e lidera o canal A hora do dinheiro , com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.

Veja também os demais textos da série

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